quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

VIDAS PASSADAS

Desisti de comprar Mágico Vento. Por ter números espaçados da série original, a princípio, me animei com a possibilidade de colecionar as edições capa dura (em cores terríveis). Comprei. Quando passaram a rarear, dei uma chance para as versões em formato italiano. Comprei também. Em algum momento, vi as duas fracassarem “mythicamente”. Eis que surge a Editora 85, reiniciando novamente a roda e, agora, com a ideia de publicar cinco volumes em um. Tenho simpatia e torço pelo êxito dos novos publishers, mas fechei definitivamente essa porta; o que, contudo, não me fez desistir da leitura dos gibis por outros meios.

Dos 131 fascículos da série regular, nesse momento que digito essas linhas, acabei de ler o 66º. E como sempre, um sentimento vem à tona: o fascínio pela minúscula seção de cartas, o maldito bendito Correio de Poe. A despeito da excelência das histórias, nenhuma das três republicações chega perto de empatar a experiência que é ler o gibi com o contraponto dos leitores e causos como o registrado abaixo:

Numa era em que uma parcela expressiva dos novos desenhistas mal consegue entregar suas 22 internas no mercado editorial US, com mais presença virtual que nos quadrinhos onde supostamente deveriam estar, é curioso se deparar com o (bom) motivo dos atrasos do artista sérvio Darko Perovic.

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Curiosamente, quem fica a cargo da arte desse mesmo número é o croata Goran Parlov. Um dos nomes mais marcantes ligados a Mágico Vento e, indubitavelmente, o grande desenhista do Justiceiro no século 21. E ainda que mereça destaque o traço, mais que a estética, merece aplausos o argumento de Gianfranco Manfredi. Dessa vez, depois de um período considerável entregando faroestes históricos, o roteirista volta ao místico que é, na minha opinião, a temática por excelência do título.

Aqui, Ned Ellis se vê as voltas com uma regressão de vidas passadas, onde ele se transfere para o corpo de Ehecatl (ou Vento Sagrado), 800 anos no passado. Na trama, acuado pelos sacerdotes dos Mounds, esse ancestral foge rumo à segurança do Rio Mississipi ao lado da amada Janira o irmão Sethua, indicando que o destino de Mágico Vento sempre estaria atrelado aos ameríndios.

Uma bela história, com ares lovecraftianos e um pano de fundo que é um verdadeiro mistério arqueológico.

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A única coisa que me frustra é não contar com esse recurso do Mágico Vento para acessar memórias perdidas – quiçá, de vidas passadas. Na verdade, como mero mortal, tenho uma memória desgraçada de ruim e percebei que, enquanto lia, algo estava faltando ou me era minimamente familiar. Sim, e era verdade. A premissa dos sacerdotes dos Mounds (ou os Antigos) já havia sido trabalhada anteriormente por Manfredi, especificamente através do relato de Nuvem Vermela a Ned em MV nº54 – por sinal, também com a arte de Parlov.

Preciso escrever mais sobre esse gibi, até para evitar outros futuros transtornos. 

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4 comentários:

lendo à bessa disse...

Acho incrível que o Manfredi vai adicionando elementos à Mitologia, tanto nas tramas políticas quanto sobrenaturais, sem perder o rumo da história. Esse acréscimo acho um barato. O legal de acompanhar a série mensal é que essas adições eram salpicadas, marinavam enquanto o roteirista direcionava o Ned e o Poe pelas Guerras Indígenas... E voltava a elas quando menos esperávamos. Novelão fino.

Luwig Sá disse...

Ao passo que tô louco p/ chegar à famosa Guerra de Black Hills, também sinto falta desses episódios, digamos, mais procedurais de MV. É ótimo acompanhar a continuidade disso e o novelão em torno de Hogan, mas as tramas sobrenaturais são as que mais gosto. A propósito, fiz um compilado de todas as histórias (até aqui) do Manfredi em Tex. Talvez ñ nesse momento, em que voltei a ler MV c/ mais afinco, mas logo mais vou me refestelar nisso tbm. Abração, meu amigo.

doggma disse...

Já tinha pego 5 volumes da Deluxe quando descobri que a série já estava descontinuada lá fora. Uma Mythada daquelas. Depois, assistimos de camarote a derrocada da série em formato italiano. O ranço foi tão grande que ainda não retomei a leitura, que é mesmo uma delícia.

Luwig Sá disse...

O mesmo aqui, só que no meu caso, eu ainda garoteei ao ponto de recomprar os números que já tinha na versão em cores quando resolveram relançar no formato italiano. Ainda comprei uns 15 e, se bem me lembro, passaram mais de ano p/ retomar. Quando voltaram, creio que saíram numa tiragem bem reduzida. Tanto é que fui comprar e alguns já estavam esgotados. Essa foi a última vez que caí no conto do vigár-- da Mythos... e também minha última tentativa de comprar MV. Seguirei lendo. Nesse momento, tô na edição 71.

Abração, Dogg.